caveiras contadoras

terça-feira, 2 de julho de 2013

A Missa dos Mortos em Ouro Preto



Hora de voltar a falar sobre folclore brasileiro! Rodando os suburbios folclorísticos cheguei a uma história que vem lá de Minas Gerais,mais especificamente em Ouro Preto. .

 Lá existe uma igreja conhecida como "Igreja das Mercês de Cima". Ela foi construída em 1733 e é bem humilde. Nada de pompa, só o básico para que o padre possa pregar aos seus fiéis.

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Na época da nossa história a igreja era zelada por um sujeito chamado João Leite. Ele morava num quartinho dentro da próprio templo e desde sempre foi um cuidadoso conservador. Mantinha tudo em ordem e bem limpo. O padre só precisava se preocupar com seus afazeres eclesiásticos que o resto ficava por conta de João Leite. O povo dizia que João era mais importante até que o padre pois havia sobrevivido a troca de três deles durante a sua estadia. João era feliz com a vida que levava. Tinha casa, comida, um teto para morar e um dinheirinho pouco, mas suficiente para comprar seus badulaques. Seu trabalho era basicamente de limpeza e organização, pois zelar mesmo como segurança? Não era necessário. O povo da cidade era cuidadoso e nem os adolescentes e crianças mais exaltadas costumavam vandalizar nada. Ladrões? A cidade até tinha, mas não havia nada de valor na igreja que valesse a investida de um meliante. E assim João seguiu seus dias até aquela noite... Chovia em Ouro Preto. Era uma daquelas noites frias que a unica coisa que se deseja é uma cama e um cobertor quentinho. E João possuia ambos! Lá estava ele todo enroladinho pensando na grama crescendo quando ouviu um estranho barulho. Seriam passos? Com certeza mais de uma pessoa...Mas tarde da noite assim? Ladrões! Pensou João. Mas roubar o que? Não havia nada nas Mercês de Cima que valesse tal sacrilégio. E qualquer ladrão, mesmo dos mais imbecis, saberia disso. Foi quando juntou toda sua coragem a muito tempo adormecida e lentamente se dirigiu ao local do barulho misterioso. Então João Leite começou a perceber que aquele era um som conhecido. Um murmúrio suave, sincronizado e repetitivo. Cada passo que se aproximava a coisa ficava mais clara. Era uma missa sendo rezada. Mas uma missa? uma hora daquelas? João chega ao templo pela porta atrás da sacristia e confirma o que seus ouvidos medrosos já haviam identificado. Toda a nave estava iluminada por velas e estava repleta de fiéis em seus bancos. A fraca luminosidade não permitia uma visualização perfeita, mas dava pra perceber que muitos deles estavam trajados com umas espécies de capas escuras que cobriam o rosto. Capas de chuva, talvez? Algumas freiras no meio...Todos em genuflexão com a cabeça baixa. João estava atrás do padre e percebeu que não o conhecia. Ele tinha uma cabeça calva e bem branca... Branca até demais para um brasileiro. Não conhecia ninguém do clero nessa cidade ou nas imediações que tivesse tal perfil. Foi quando chegou o momento. O instante em que o coração de João Leite gelou de tal forma que era capaz de congelar o próprio inferno. Quando o tal padre virou-se de frente para dizer o Dominus Vobiscum, João percebeu que não era uma pessoa qualquer. Na verdade nem era uma pessoa. Frente a seus lacrimejantes olhos incrédulos João ficou cara a cara com a face da morte. No lugar de um rosto, uma caveira fulmina João com o vazio de suas órbitas e sorri. Ou pelo menos parecia que sorria já que não havia carne para demonstrar expressão. Apavorado João ainda percorre com os olhos toda a igreja e percebe que cada um dos participantes daquela cena maldita, agora devidamente em pé e voltados para ele, também eram caveiras.


Depois de alguns segundos, que mais pareceram horas, João reune a pouca força que lhe resta e e corre de forma descerebrada para o único lugar onde, caso são, não iria. A porta lateral que levava ao cemitério do adro. Lá chegando percebeu que todas as covas estavam remexidas, lápides caídas e o pequeno portão, que estava trancado desde que o lugar foi fechado em definitivo para funerais, estava escancarado. A chuva lá fora, já em clima de tempestade, jogava seus raios iluminando o cenário macabro. Novamente as pernas de João para nada serviam e ficaram paralizadas.




Eis que ele sente que não está mais sozinho naquele lugar de fuga. O frio da sua espinha deixa claro que tem alguém, ou alguma coisa, atrás dele. Um sussurro fraco e pútrido chega aos seus ouvidos e pronuncia algumas palavras. Então seu ombro é tocado suavemente e pelo canto dos olhos João vê aqueles dedos ósseos pousados no seu corpo no exato momento que um raio corta os céus, atingindo a árvore seca no meio do cemitério, e um trovão ribomba no firmamento. Foi o suficiente para a mente frágil do zelador apagar de vez. No dia seguinte João acorda num leito de hospital. O padre, o vivo é claro, estava ao seu lado e contou que o encontrou caído na frente do portão do cemitério. João balbucia alguma coisa e quando finalmente consegue coordenar suas palavras ele pergunta sobre as covas abertas e os esqueletos ambulantes. O padre não entende o que João quer dizer e explica que não havia nada diferente na igreja. O portão continuava fechado da mesma forma que sempre esteve durante anos. As covas estavam no lugar e o templo limpo e preparado para qualquer celebração. Só a pobre árvore seca que estava partida em duas por causa de um raio. João conta então toda a história aos ouvidos atentos do santo homem que percebe claramente o que aconteceu. Foi apenas um sonho e nada mais. O padre sabia que João era sonâmbulo. Sempre foi desde que o conheceu. Era comum encontrá lo dormindo nos bancos da igreja e até no altar, usando a almofada da genuflexão como travesseiro. Durante seu sonambulismo, João se dirigiu ao portão do cemitério e tocou na grade quando o raio alcançou a árvore. Os médicos acreditam que ele foi atingido por um choque elétrico e nesse momento apagou. O resto? Foi coisa da sua cabeça. Depois de liberado, João voltou ao local da sua tétrica experiência e comprovou o que o padre disse. Tudo estava em seu lugar. Nem um sinal do terror da noite em questão. Mas ainda havia algo na história. As palavras sussurradas pela alma penada no seu ouvido. Uma coisa tão tenebrosa que ele nunca confidenciou a ninguém, nem mesmo ao padre. Palavras essas que João levou para o túmulo, pois dez dias depois ele foi achado morto. Seu corpo jazia no altar, de costas para baixo e com as mãos cruzadas, prontinho para ir para o caixão. A causa da morte não foi confirmada pelos médicos. A suspeita é que o efeito do raio no organismo do zelador não foi tão inocente quanto eles imaginavam. A história acabou rodando a cidade. Sabe como é. O padre até podia guardar segredo, mas João não pediu sigilo mesmo! Uma coisa foi boa. A paróquia nunca teve tanta freqüência como nos dias seguintes à morte de João. Apesar de ser pelos motivos errados, pois poucos estavam interessados em ouvir a palavra divina e sim conhecer o palco da saga de João Leite. Já durante à noite as pessoas passavam pela frente de forma apressada e depois da última missa não havia quem ficasse por perto. Muitos anos se passaram até que a igreja tivesse um novo zelador. Só quando a história já esfriara bastante e poucos comentavam como se fosse verdade. Então assim ficou. Os céticos acreditam que foi só um pesadelo e uma triste coincidência. Outros levam mais a sério a história e especulam que o sussurro no ouvido foi um convite...Um convite a se juntar a Missa dos Mortos. E assim a lenda rola pelos anos e como todos os contos, cada um conta de uma forma.


fonte:http://casossobrenaturais.blogspot.com.br/

2 comentários:

  1. Que bacana a forma como você recontou o conto...rs...parabéns! É uma maneira bacana de repassar a cultura, folclore, do país de uma forma mais 'jovem'.
    Seu blog é interessante e meio 'arrepiante' (rsrsrs), vou visita-lo pra ler sobre o que mais você escreve!

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